* ... algumas voltas e novamente o exibicionismo...
assim como um pastor histérico tentando resgatar nossas almas perdidas e convertê-las à sua verdade... assim como o autor de um livro de auto ajuda que está pela décima semana na lista dos mais vendidos cujo o escritor sonha, além da grana de seus direitos , transformar a vida do leitor, resgatá-lo do fundo do poço...
assim como todos...
assim como eu... tentando provocar debaixo de suas roupas algum tipo de sensação... querendo fazer parte desse seu mundinho louco...
sempre desejamos dominar alguém e na maioria das vezes o que tanto desejamos dominar está além , fora de nosso alcance...*
Enquanto a cortina era afastada uma tempestade de pensamentos ou de culpas , não sei, tomaram conta de minha mente. Há algumas semanas meu rendimento no escritório não era satisfatório e eu sabia que o dele também não. Estava sempre ansiosa para saber qual seria nossa próxima aventura, o que faríamos para desagradar nossos princípios religiosos ou sociais.
Era um encontro planejado pelo destino. Estávamos revivendo as mesmas situações de quando tínhamos 20 anos ou por aí. Com uma pequena diferença , com paciência e porque não, responsabilidade. Ele me inspirava segurança , me fazia rir e o melhor me tocava e me presenteava com o gozo. Poderia ser qualquer outro, poderia ser qualquer outra.
Não havíamos transado e não ficava especulando os porquês disto. Numa hora qualquer rolaria.
Penso que iniciamos aquilo por vaidade. Ele , um homem de 40 anos, tentando mostrar virilidade. Eu e meus 30 e alguma coisa e minha eterna falta de equilíbrio. Inconsequente me envolvia com facilidade em situações ou com pessoas que me fizessem rir, que não me lembrassem da palavra *compromisso* . Eu aceitava tudo o que ele me oferecia. Uma mulher vulgar com elegância, com um certo status profissional, sei lá.
Não conversávamos sobre o que estava acontecendo. Provavelmente chegaríamos a conclusão que tudo aquilo era bobagem, que o tempo havia passado e deveríamos nos render aos encantos do dia a dia de pessoas comedidas que acordam, tomam seu café, enfiam sua bunda numa cadeira durante 8 ou 10 horas do dia, voltam para casa, beijam seus filhos, jantam e assistem tv até adormecerem e no dia seguinte repetir o ritual...
Ví a rainha entrando e poderia ficar alí olhando para ela por toda a vida. Enfiada num corpete de couro , seios à mostra. Seios moldados por próteses, enormes, lindos.
Sua pele tão branca, sua postura, seus cabelos.
Outras coisas rolavam naquele palco. Casais ou grupos pequenos faziam o que deveriam fazer . E ela continuava andando , vigiando seus escravos. Às vezes puxava os cabelos de um ou outro e dizia , esfregando o rosto deles no sexo do parceiro , para que fizesse como ela havia ensinado.
Patético, estranho, dependendo do ângulo, exótico, sensual. Nada do que eu imaginava .
Apesar das correntes , chicotes e afins, ela controlava com certa sutilidade seus agregados. Imaginava pessoas apanhando , sangrando e por aí vai.
Ela, a rainha, *se* metia no meio deles quando estavam distraídos. Empurrava a mulher que chupava o sexo da outra e sem qualquer cerimônia enfia todos os dedos na vagina da garota que por acaso parecia desejar aquilo mais do que qualquer coisa. O jeito como ela manipulava o clitoris , a maneira como alternava língua e dedos. a sequencia que determinava hora vaginal, hora anal, fez a escrava chegar ao orgasmo com muita rapidez.
Abraçou o cara que montava numa mulher de quatro quando possivelmente ele estaria *para gozar*. Ele se virou , deixando a outra largada onde estava e ajoelhou-se . Talvez fosse o preferido da rainha. Ela também se ajoelhou , chupou seu penise , de certa forma, obrigou-o a lambê-la estupidamente.
Voltava à posição anterior, com a bunda para sua platéia e manipulava seu membro , as vezes com a mão, outras vezes com a boca.
-se você gozar na minha boca vai se foder, escutou? você sabe o que eu faço quando você não me obedece?
De qualquer forma não foi algo muito demorado. Ela se deitou no chão , de bruços e de frente para o vidro. Ele afastou sua roupa e deu fortes estocadas que infelizmente não conseguí perceber se eram em sua vagina ou em sua bunda. Enquanto recebia os golpes ela se empenhou em deixar-me numa situação constrangedora e excitante. Com certeza já havia notado minha presença desde o início e enquanto permitia que seu escravo montasse nela me olhava e nada que acontecesse alí faria ela desviar aquele olhar .
Tão maravilhoso é o rosto de uma mulher recebendo sexo.
Lí em seus lábios
-você me quer? você quer ele?
De repente ela se esquiva da transa . Levanta-se e desaparece. Ele retorna a parceira anterior.
-gosta do que vê?
De alguma maneira havia saído do aquário e seu rosto estava próximo ao meu. Sentí vergonha, medo, vontade de sair correndo.
Lá dentro o show continuava
-vem comigo... por que não faz parte da nossa brincadeira?
Ele percebeu e sabiamente se afastou , mudando de lugar.
Eu estava tremendo. Em algum momento eu deixei que ela tivesse a certeza que poderia me conduzir ou à ela ou a ele.
Seguí aquela mulher que era ainda mais linda do que parecia anteriormente. Puxou-me pela mão
-filho da puta você me paga ... faz alguma coisa
Num corredor escuro abriu a porta de uma sala , um escritório
-você nunca esteve aqui. deseja o que realmente? afinal não está aqui à toa
-curiosidade
-gostou de alguem? posso negociar um de meus escravos ou quem sabe uma de minhas escravas? quem sabe um menage... seu namorado ...
-não... é um amigo
-sei... você e seu amigo benzinho ... são curiosos... conheço todos que frequentam essa espelunca
Passando a mão em meus cabelos, pelo rosto , pescoço e seio, por cima da blusa. Tive tanta vontade de fazer o mesmo mas ela continuou
-o jeito de vocês, suas roupas ... sabe? tipinhos que tem dinheiro, pagam qualquer coisa para experimentarem algo diferente... o que desejam? aqui se paga para entrar e a critério do cliente para sair... sair com o que vieram buscar...
Fiquei puta. Não porque achava que estávamos desejando algo ou alguém mas por me tratar como uma inocente perdida num mundo de perversões
-mesmo? quanto você cobra pra deixar que eu toque em seus seios... não, quero tocá-los e lambê-los... quanto?
A expressão de seu rosto mudou totalmente. Ela se afastou e abriu uma das gavetas da mesa. Pegou num pacote um cigarro, um baseado
-quer?
Escrito por CLARA MARINS às 16:09
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